SONHO DE HABITAR GUIMARÃES #03\2009 Video
O discurso actual prende-se em questões de identidade. A identidade inerente ao território de Guimarães é o único fenómeno que ultrapassa os limites do seu centro histórico, não deixando que os contextos, fora desse centro, sejam igualmente ricos em qualidade espacial.
Em Zoom Out ilustra-se a monotonia de 2/3 da população vimaranense na sua rotina laboral, lúdica, cultural e comercial. 2/3 que se deslocam, diariamente, de uma periferia, em busca de harmonia espacial e qualidade de vida presente no centro da sua cidade.
Aparentemente, o zoom parte do centro em direcção à periferia. A muralha, estática e perene, assiste ao desenvolvimento da cidade através da Av. Afonso Henriques. Ao longo do percurso podemos perceber que os limites entre centro e periferia são difusos. A monotonia instala-se à velocidade do automóvel. O som enfatiza essa monotonia naquela frequência que alude à surdez.
A presença do autocarro é constante e constitui um exemplo de mobilidade - sistema de transporte entre periferia e cidade visão complementada no final do percurso com a presença do comboio.
Entre a velocidade do automóvel, olhares indiscretos e frequências inaudÃveis as fachadas transformam-se e com elas os ambientes. A cidade dá lugar à periferia.
Os cenários apresentam-se rápidos e fragmentados. O som e as sequências de frames exploram a sua violência. Temas como a mobilidade e a habitação são abordados e interpretados como sendo os principais geradores de espaço, resultando, a sua construção, num outro tema também abordado, o vazio.
Em oposição a essa violência pictórica, a imagem da Quinta da Valverde e do seu eucalipto simbolizam uma romântica visão da paisagem da cidade. Uma paisagem recorrentemente explorada em função da má construção e do mau desenho.
Esta imagem, desta árvore, desta colina e deste Carlos Paredes, preenchem de poesia e sensibilidade este espaço, que é infinito e infinitamente mal aproveitado.
Na cultura tradicional, o que não é cidade é campo: não existem territórios intermédios, indecisos ou indefinidos. *
Podemos portanto assumir que Guimarães contrariamente à ilusão criada pelos seus Ãcones não tem cultura tradicional.
Em Guimarães, os territórios intermédios não são apenas presentes. São figuras dominantes na paisagem (próxima e distante).
Assim sendo, Guimarães não é uma cidade sustida por um arco composto pedra a pedra. A cidade vai-se aguentando apoiada na ilusão de um pilar que não tem repercussões para além do seu valor icónico.
André Cardoso, André Castanho, Hugo Ferreira, João Pedro Silva e LuÃs Lima.
Author: pasteldenatas; Uploaded: Jul 5, 2009; Duration: 3:21; Views: 327
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